Pseudociese – respire fundo, está tudo bem!

 
Minha cachorrinha engordou, começou a montar um ninho, às vezes fica agressiva e chegou a ter produção de leite nas glândulas mamárias. Minha cadela está grávida? Mas ela não cruzou, como isso?

Mais conhecida como gravidez psicológica, a pseudociese não é tão perigosa assim. Trata-se de um disfunção hormonal da progesterona (hormônio do sexo feminino) que faz com que a cadela acredite que esteja grávida mesmo não estando. Ocorre quando a cadela não é castrada, e quando ocorre uma vez, ela pode apresentar o problema novamente. Acontece pelo menos uma vez com 50% das cadelas que não são castradas, geralmente entre dois a quatro meses depois do último cio.

Comumente a cadela começa a juntar objetos, brinquedos ou sapatos e a cuidar como se fossem sua cria. Algumas fêmeas ficam bem irritadas se você tenta tirar dela, porque afinal pra ela está apenas defendendo sua cria. É indicado que os donos não tentem tirar os filhotes imaginários, pois isso pode deixar a cadela bem ansiosa e agressiva.

Preciso procurar um veterinário?

Sim. Embora na maioria das vezes as fêmeas retomem seu comportamento normal após cerca de duas semanas de “gravidez”, há casos em que a ajuda medicamentosa ou até cirúrgica como a castração pode ser indicada – o tratamento varia de acordo com os sintomas da cada fêmea. Além disso, o acúmulo de leite nas mamas pode gerar uma infecção conhecida como mastite ou empedramento do leite, causando dores, nódulos e tumores na área, além de muita irritação, e deve ser tratada rapidamente por um profissional. Infelizmente a falta de tratamento pode acarretar uma série de problemas bastante complicados, incluindo tumores, infertilidades e o câncer.

Sua melhor forma de prevenção é a castração, já que evita a produção dos hormônios ligados à gestação.

Por que acontece?

É uma questão comportamental. A origem desta disfunção hormonal vem da época em que os cachorros eram selvagens. Antigamente as fêmeas que ocupavam uma posição inferior na matilha tinham um aumento da produção de leite, de modo que podiam ajudar a alimentar os filhotes de uma mãezinha que tinha dado à luz recentemente.Com isso os filhotes cresciam fortes e saudáveis. Era uma questão de trabalho em grupo. Esse comportamento hoje não é mais funcional, porém foi mantido e ocorre ocasionalmente.

 
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Castrar ou não castrar?

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Se há um assunto que mexe com a cabeça de todo mundo que tem um animalzinho é a castração. Por que castrar? Por que não castrar? Quando castrar? Essas são apenas algumas das dúvidas mais frequentes.

É claro que com a chegada da Dina Nina não foi diferente. Mesmo já sabendo todos os benefícios da castração, optar por submeter seu animalzinho a uma cirurgia deixa qualquer um com o coração na mão! Por mais que seja uma cirurgia simples/corriqueira/de rotina e tantos outros adjetivos “tranquilizantes”, é uma cirurgia, sim. Envolve riscos, é necessária uma preparação adequada, tem uma série de cuidados pré e pós-operatórios e por aí vai. Discordo de quem pensa que é a coisa mais simples do mundo, porque nada que envolve a vida de um ser que tanto amamos é simples. É importante que o dono saiba que o animal sentirá dor, sentirá medo, e por isso deve estar presente nesse momento delicado.

A decisão de castrar a Dina Nina nasceu no mesmo dia em que ela chegou em casa. Porém, percalços da vida nos levaram por outros caminhos… Com isso ela teve seu primeiro cio aos 10 meses de idade e o segundo 8 meses depois, em novembro/2013. E aí veio a surpresa: pseudociese! Sim, minha pequena estava com gravidez psicológica. Ganhou peso, perdeu o apetite, as mamas incharam, ficou mais irritada e carente, começou a fazer ninho… Foi a gota d’água que faltava pra trazer o assunto “castração” de volta.

Houve uma pequena reunião: meu marido, o veterinário da Dina e eu. Já havia pesquisado muito sobre o tema, já conhecia os riscos, os prós, os contras, mas quando chega a situação real é diferente.

Gosto de pessoas que estudam, fato. O veterinário da Dina é muito experiente e conceituado. Terminou o mestrado antes mesmo que eu fosse nascida e terminou o doutorado antes que eu concluísse a graduação. Soma-se a isso o fato de já ter castrado várias cadelinhas da família e  de amigos. Assim, por incrível que pareça, não era a cirurgia em si que me assustava, e sim o pós-operatório. Tudo que não queria era ver a Dina Nina com dor!

O pré-operatório

Com o coração na mão, agendamos a cirurgia. Nas semanas anteriores ela fez uma série de exames (hemograma, funcionamento dos rins e fígado, fezes, ultra-som e, provavelmente, algum outro que eu tenha esquecido). Alguns foram pela cirurgia, outros pela pseudociese e outros apenas porque estava na hora de um check-up. Optamos por tosar o pelo, para evitar que ela precisasse lidar com desembaraço de nós no pós-operatório. Preparamos a “malinha” dela com caminha de viagem, cobertor, bebedouro de bilha, comedouro, ração (dividida em porções) e colar elizabetano de tecido, feito com todo carinho pela avó. Para a cirurgia, o topete foi preso numa chuca firme, apenas com elástico, sem nenhum lacinho enfeitando.

Preferimos já comprar a medicação (anti-inflamatório e pomada cicatrizante) que seria utilizada no período pós-operatório, apenas para adiantar as coisas. O antibiótico, injetável, seria tomado na própria clínica, de modo que não foi preciso adquiri-lo.

A cirurgia

Dia 19/02, às 22h, Dina estava na mesa de cirurgia. Devo admitir que desabei após deixar a pequena na clínica. Chorei durante todo o trajeto de volta para casa e assim permaneci, e quem segurou as pontas foi o meu marido. Quando o veterinário ligou dizendo que ela estava bem, foi um alívio! A cirurgia foi um sucesso!

Foi feita uma incisão na barriguinha, por onde o útero e os ovários foram retirados. Segundo o veterinário, o útero da Dina era bem pequeno, o que deixou tudo relativamente mais tranquilo. A incisão foi suturada e foi feito um curativo protegendo a área. Ela também recebeu a primeira dose do antibiótico e em seguida foi para a enfermaria, onde passou a noite em observação.

O pós-operatório

No outro dia, ela teve alta. A primeira noite não foi fácil, a Dina acordou algumas vezes e, embora não tenha chorado, era visível o incômodo que sentia. Para dar a medicação oral (anti-inflamatório em gostas, ministrado a cada 12 horas) utilizei um pedaço de maçã, que ela ama, o que facilitou muito o processo. A barbinha dela chegou a ficar esverdeada graças ao remédio! Todos os dias tenho tirado o colar elizabetano para refazer a chuca e escovar os pelos da região. E mesmo curtinho formaram-se alguns nós. Hoje vejo que a decisão de tosar foi, sem dúvidas, a melhor.

Essa semana a Dina ainda retornou à clinica para ser avaliada, trocou o curativo e recebeu nova dose do antibiótico injetável. Os pontos serão retirados hoje à noite e em breve ela voltará a sua rotina normal!

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