Um é pouco…

Muita gente se empolga com o primeiro cãozinho e logo se encanta, se apaixona, se doa! Dai vem a vontade de ter o seu segundo peludo. Assim aconteceu comigo e não resisti quando vi a carinha da minha caçulinha.

Mas é só depois do impulso que a gente se dá conta: Qual será a reação do cãozinho mais velho? Será que se darão bem? Pronto, eu já tinha aceitado o desafio de cuidar das duas e esse turbilhão de incertezas apareceu. Corri para a internet atrás de dicas de como fazê-las se adaptar e conviverem em harmonia.

Dicas de como apresentá-las e como se portar no dia-a-dia me foram úteis. Mas nada me tira da cabeça que meu jeitinho tinhoso dificultou as coisas. Explico: inevitável que o cão puxe ao dono, e, com isso, tenho duas tinhosas (e orgulhosas, e ciumentas, e aparícias…) em casa.

De toda sorte, eu precisava continuar exercendo a minha liderança para que me respeitassem e ainda fazê-las se respeitarem. Mas como? A Yuppie já entendia perfeitamente e eu não podia e nem queria ter uma cadela rebelde e duas brigando sem parar pela casa. Mas foi só após a pesquisa que eu fiquei sabendo, melhor criar dois cães de sexos opostos. Fêmeas brigam mais com fêmeas e machos brigam mais com machos, mas já estava feito e… vamos ao desafio!

Yuppie e Chloé

Conversei com várias pessoas que tinham dois ou mais cães. Quanto a me impor perante, elas eu não estava tão temerosa, ocorreu de forma natural com a Yuppie e assim eu imaginei que ocorreria com a chegada da Chloé. O que me deixava mais assustada era mesmo a convivência entre elas. Depois de pesquisar, percebi que a principal causa de brigas entre cães era a organização hierárquica que deveria prevalecer. Em outras palavras, uma das duas seria líder e não seria eu que escolheria, precisava notar qual assumiria o papel.

A primeira dica que todos dão é apresenta-los num ambiente neutro, isso para que o cão mais antigo não entenda como ameaça ao seu território e precise exterminar o inimigo. Então, aproveitei que a Chloé chegou num final de semana e fiz isso na casa da minha avó, já que lá tem o habitual encontro familiar de domingo. Lá a Yuppie não entendeu bem o que aconteceria, mas ficou toda desconfiada e com medo de chegar perto, dizem que é essa a primeira reação dos cães mais velhos em relação aos filhotes, temem por um tempo e mantém a distancia.

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O que li bastante era que a minha postura influenciaria no comportamento delas. Choquei e faltei paralisar quando li: “esteja preparado para apartar brigas”. Pensei: Nossa, como duas fofinhas classificadas como “cães de companhia” iriam ser tão ofensivas? E, por algumas vezes, foram! Por isso, falar firme, não tolerar implicâncias ou provocações era essencial. Ok! Mas como uma cachorra implicaria com a outra? Pra mim, parecia surreal e papo de especialista em coisa nenhuma se achando metido a doutor de alguma coisa. Mas sim, pequenos sinais seriam percebidos: roubando seus brinquedos, não deixando a outra passar pelo seu local favorito, não permitindo que chegasse junto das visitas e de mim. Isso tudo eu deveria repreender. Pode parecer bobagem, mas foi extremamente importante.

Ainda assim, notei que a noite seria mais complicada e, a primeira grande solução foi fazer o convívio inicial ser gradual. Contei com a ajuda da minha irmã que abrigou caçulinha na casa dela alguns dias alternados e as duas foram aprendendo a conviver. Dali uns dias, a Yuppie não saia do lado do cercadinho onde a Chloé ficava confinada durante o dia (usei essa tática para fazê-las aprender a fazer xixi no tapete).  Alguns usam como dica reduzir gradativamente a distancia, o que pra mim não funcionaria, já que moro em um apartamento e a raça não é agressiva a ponto de preocupar em mantê-las na guia por medo de ataque. Então, julguei que não forçar um convívio logo de cara foi mais adequado e funcionou bem, sem contar que já se conheciam bem e já tinham brincado bastante quando foram, então, passar a dividir caminha, bilha e até a mamãe.

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Por um longo tempo, foi preciso dar prioridade para o cão líder, no meu caso, a Yuppie. Se ia dar petiscos, primeiro a Yuppie; se chegava o momento de escovar, primeiro a Yuppie; se tinha momento de brincadeira, primeiro a Yuppie; refeições servidas, primeiro a Yuppie; cama, sofá? Só a Yuppie tinha acesso permitido. Confesso que por muitas semanas me partia o coração, a Chloé fazia olhar de coitada e eu tinha que ignorar. Acho até que isso influenciou e muito na personalidade dela, que hoje é super carente (não por falta de carinho), exige o afago e quando está comigo, fica mais quietinha, procura sempre minha mão e não tenta se impor, meio que aproveita o momento – ao contrário da Yuppie que é mais voluntariosa e até independente.

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Procurei entender que é um engano pensar que cachorros precisam ser tratados com igualdade e que eles se sentem infelizes quando são “deixados um pouquinho de lado”. Tudo bem, com o olhar da Chloé tudo ficava mais difícil, mas eu me virava e mentalizava que logo passaria. Nem todos os cães nascem para serem líderes.

Um outro ponto que vale a pena lembrar é que nem sempre a dominância é estabelecida pelo cão mais velho, nem mesmo por quem chegou primeiro no território. E ai estava o problema, quem estava com a Chloé me disse que ela era a mais espoleta e escandalosa da ninhada, a que liderava a baderna e expulsava os irmãos do lugar que ela queria dormir. Logo entendi: ali, naquele ambiente, ela era a líder. Como seria na minha casa com a Yuppie?

Aos poucos o convívio foi se alinhando e, dentro dos 30 dias que costumam falar ser necessário para o entrosamento, elas já se amavam e se odiavam. Como percebi quem seria a líder? A Yuppie não arredou o pé do lugar de dormir preferido e quando a Chloé chagava perto, ela tratava de se impor, não deixava de jeito nenhum a mais nova comer antes ou junto com ela, e a mais nova respeitava esses comandos. Então, só respeitei a forma como elas se organizaram, embora hoje eu não consiga perceber claramente quem é líder. É impressionante, dormem juntinhas, mas a Chloé só late depois da Yuppie, em contrapartida, é a primeira a fazer xixi pela manhã – e a Yuppie ODEIA usar o tapete sujo, rs – Chloé respeita o pratinho de comida da Yuppie, mas se ela bobear, Chloé dá seu jeitinho de fisgar uns grãozinhos da ração da gorducha.

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5 comentários sobre “Um é pouco…

  1. Boa noite na verdade tenho uma duvida? Há pouco estava pensando sobre ter um macho. Ja tenho uma femêa e no caso traria o macho castrado. Mas no fundo o que gostaria de saber é se sobreviveria a 2 shiht zus em casa… Tipo assim foi muito trabalhoso? Em dado momento vc disse que por um longo período tudo em primeiro pra líder, quão longo foi esse período? Passou? Hehehe. Obrigado, aguardo uma luz…meu maior medo é a reação da nossa filhota…muito embora uma vez tomada a decisão jamais me desfaria do novo membro também, uma luz ajudaria…muito obrigado pela atenção!!! Excelente post…mas me criou um “problema” e tanto… Rs

    • Boa noite, Germano. Primeiro, desculpa a demora. Mas ainda estava tentando me familiarizar com as ferramentas… Bem, acho que você sobreviveria sim em uma casa com dois shih tzus, se eu sobrevivo, porque você nao? Como escrevi, dizem que a convivência entre cachorros de sexos diferentes é mais branda e aa daptação mais rápida, mas ainda acredito que o comportamento deles éreflexo do nosso, então vai tudo depender de você.

      Quando falo que aqui existe uma liderança, mas não muito bem definida, reconheço que é muito por conta do meu gênio forte… “O cão imita o dono” e elas acabam não obedecendo tanto uma a outra como deveria.

      Mas uma coisa é certa, entre elas pode até não ficar tão claro, mas basta o dono se impor e eles entendem os limites. Eu sempre digo, elas se amam e se odeiam diariamente, basta saber educar e levar o dia a dia…

      Quanto ao tempo em que demoraram para se adoatar, não sei precisar, mas tudo o que li apontava uma fase de 30 dias para o relacionamento entre os cachorros sincronizar. E até hoje deve ser tudo primeiramente para a líder, que no meu caso ficou mesmo a mais velha. Não pensa que é preterir a mais que não é lider. Como expliquei, eles mesmos tem o instinto de respeitar quem manda neles, o cachorro vivia em bandos, né, e reconhece um líder e não se sente ofendido, pelo contrário (isso eu li em alguns textos que tratavam o assunto e falavam de comportamento animal, mas a carad a Chloé – a. Mais nova – as vezes med eixa na dúvida se esses entendidos do assunto são mesmo entendidos, rs).

      No mais, você vai aprender bastante com eles, eu apoio o segundo caozinho!

      =]

  2. Gente nunca tive essa preocupação.Os meus se são super bem.nunca cruzaram mesmo antes de serem castrados.Não me arrependo de ter 9 bbs de jeito nenhum,tanto q quero mais uma!Acho q se deve pesar os gastos q isso sim vai dizer qts se pode ter.Não é barato nem fácil mas o amor que recebo supera qq obstáculo!

  3. Pingback: Vai começar a brincadeira! | Shih Tzu Café

  4. Sooooocoooorrrrrrrroooooo tenho uma poodle de 6 anos ela tem um bichinho quando eu falo pra ela que outra cachorrinha e que é minha ela pega o bichinho da minha mão morde e sacode com muita vontade. Vou ter muito trabalho não é?
    estou com medo de apresentar-las o que faço?
    juliana

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